20 de maio de 2026
A Comunidade de Prática Latino-Americana e Caribenha de Nutrição e Saúde (COLANSA) expressa seu apoio às organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas e profissionais da saúde na Colômbia que atualmente promovem o fortalecimento da rotulagem nutricional frontal (RNF) de alimentos como uma estratégia de saúde pública baseada em evidências científicas e livre de conflitos de interesse.
A RNF é uma recomendação respaldada por organismos internacionais de saúde, especialmente pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)1 2 3, pela Organização Mundial da Saúde (OMS)4 5 e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)6, que têm afirmado de forma consistente que sistemas de advertência simples, visíveis e de fácil compreensão constituem um dos mecanismos mais eficazes para garantir o direito à informação e contribuir para a prevenção das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) relacionadas à alimentação. As evidências internacionais demonstram que os modelos com critérios mais rigorosos e maiores padrões de proteção à saúde produzem melhores resultados em termos de compreensão pelos consumidores, mudanças nos padrões de compra e reformulação de produtos7 8.
Diferentes países da América Latina demonstraram que a RNF permite que as pessoas identifiquem de forma simples e rápida os produtos com altos teores de açúcares, sódio, gorduras saturadas e calorias, favorecendo decisões alimentares mais informadas e conscientes. Ao mesmo tempo, cresce o conjunto de evidências sobre o impacto positivo da rotulagem na redução da exposição de crianças e adolescentes a produtos ultraprocessados, bem como na transformação dos ambientes alimentares em direção a opções mais saudáveis.
O fortalecimento da RNF não é apenas uma discussão técnica ou regulatória; trata-se de uma medida de proteção de direitos: o direito à saúde, à informação e à alimentação adequada. Em um contexto em que as DCNT figuram entre as principais causas de morbidade e mortalidade, enfraquecer ou postergar a implementação das políticas de rotulagem frontal significa aprofundar desigualdades em saúde e limitar a capacidade das pessoas de fazer escolhas informadas sobre sua alimentação.
É importante destacar que associações profissionais, científicas e acadêmicas, assim como profissionais das áreas da saúde, medicina e alimentação, devem ser guiados pelos princípios da independência, da transparência ética e da ausência de conflitos de interesse. A confiança pública nessas instituições depende de que suas posições sejam orientadas pelo interesse coletivo e pelas evidências científicas, e não por interesses corporativos de entidades comerciais potencialmente sujeitas à regulação em saúde pública.
As diversas experiências documentadas na região demonstram como a indústria de alimentos e bebidas ultraprocessados implementa estratégias de captura corporativa de associações profissionais, sociedades médicas, conselhos profissionais e espaços acadêmicos, com o objetivo de influenciar narrativas, posicionamentos técnicos e debates regulatórios. Essas interferências se manifestam por meio de financiamento, patrocínio, alianças institucionais, apoio a eventos acadêmicos ou participação em espaços de tomada de decisão, representando riscos à independência científica e à qualidade das políticas públicas.
A captura corporativa não afeta apenas a qualidade do debate técnico. Os processos de influência corporativa tendem a consolidar um ambiente de desconfiança em relação às evidências científicas consolidadas, de deslegitimação de boas práticas e de enfraquecimento dos mecanismos regulatórios que sustentam ações efetivas de saúde pública. Ao mesmo tempo, promovem narrativas centradas exclusivamente na responsabilidade individual, minimizando o papel dos ambientes alimentares e das práticas comerciais da indústria de produtos ultraprocessados. Isso representa uma ameaça à formulação de políticas públicas baseadas em evidências científicas e à proteção dos direitos da população.
Da mesma forma, manifestamos nossa preocupação diante das estratégias de intimidação, deslegitimação e pressão direcionadas a pesquisadores, profissionais da saúde, integrantes da sociedade civil e defensores de políticas públicas que promovem medidas regulatórias voltadas à proteção da saúde da população colombiana.
A COLANSA reafirma seu apoio à comunidade acadêmica, científica e à sociedade civil da Colômbia que atua em prol do fortalecimento da RNF em consonância com os mais elevados padrões internacionais. Reconhecemos seu trabalho na defesa do direito à saúde e seu compromisso com políticas públicas transparentes, independentes e orientadas pelo interesse público.
Fazemos um chamado para que os processos regulatórios relacionados à rotulagem frontal e à alimentação saudável sejam conduzidos com base em evidências científicas independentes, livres de interferência corporativa e sempre priorizando a proteção da saúde da população, particularmente de crianças e adolescentes.
Atenciosamente,
Elisa Proença da Silva Mendonça
Diretora-Executiva
Ariadna Villalobos
Coordenadora do Nodo de Rotulagem
Christian Paul Torres
Coordenador do Nodo de Interferência
- Organización Panamericana de la Salud. (2016). Modelo de perfil de nutrientes de la Organización Panamericana de la Salud. OPS, https://iris.paho.org/handle/10665.2/18622 ↩︎
- Organización Panamericana de la Salud. (2020). El etiquetado frontal como instrumento de política para prevenir enfermedades no transmisibles en la Región de las Américas. OPS. https://iris.paho.org/handle/10665.2/53013 ↩︎
- Organización Panamericana de la Salud. (2026). Mejores prácticas de etiquetado frontal de productos alimentarios en la Región de las Américas. OPS. https://iris.paho.org/handle/10665.2/70768 ↩︎
- Organización Mundial de la Salud. (2019). Guiding principles and framework manual for front-of-pack labelling for promoting healthy diets. World Health Organization. https://cdn.who.int/media/docs/default-source/healthy-diet/guidingprinciples labelling-promoting-healthydiet.pdf ↩︎
- World Health Organization . 2021. Implementing nutrition Labelling Policies: A Review of Contextual Factors. https://www.who.int/publications/i/item/9789240035089 ↩︎
- United Nations Children’s Fund. (2021). Front-of-pack nutrition labelling: A “how-to” guide for countries. UNICEF. https://www.unicef.org/media/118716/file ↩︎
- Crosbie, Eric, Gomes, Fabio S., Olvera, Jorge, Rincón-Gallardo Patiño, Stefanie, Hoeper, Stefanie, & Carriedo, Alejandra. (2022). A policy study on front-of-pack nutrition labeling in the Americas: Emerging developments and outcomes. The Lancet Regional Health – Americas, 18, 100400. https://doi.org/10.1016/j.lana.2022.100400 ↩︎
- Croker H., Packer J., Russell S.J., et al. Front of pack nutritional labelling schemes: a systematic review and meta-analysis of recent evidence relating to objectively measured consumption and purchasing. J Hum Nutr Diet. 2020;33:518–537. doi: 10.1111/jhn.12758 ↩︎
Nota: Este documento foi traduzido do espanhol para o português brasileiro com o auxílio do ChatGPT (OpenAI, modelo GPT-5.5), a partir da versão original em espanhol publicada pela COLANSA. Em caso de divergência de interpretação, prevalece a versão original.